Páginas

Mostrando postagens com marcador etnia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador etnia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de maio de 2010


Uma crítica à revista Veja, feita no Twitter, provocou a demissão, nesta terça-feira (11), do repórter fotográfico Felipe Milanez, editor-assistente da revistaNational Geographic Brasil. As duas publicações são da editadas pela Abril.

“A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso”, declarou Milanez ao Blog do Altino Machado.

O editor-assistente fez acusações contundentes à Veja devido à preconceituosa matéria "A farsa da nação indígena", que deturpava o sentido da delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto?", registrou Milanez no Twitter.

Em mensagem no mesmo dia, Milanez afirmou que o "racismo" da publicação fez com que se manifestasse. "Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas".

Também no microblog, o jornalista informou sua demissão: "To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual."

Em entrevista ao Portal Imprensa, Milanez declarou que fez observações contundentes sobre a publicação, mas foi surpreendido pela demissão. "Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos", lamentou o ex-editor.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou ao Portal Imprensa que os comentários no Twitter resultaram na demissão de Milanez. "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão", disse. Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".

Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.

Milanez também havia se manifestado no Twitter a respeito da nota do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado por Veja na reportagem, mas que nega ter dado entrevista para a revista. “Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja: ‘repugnante’”, escreveu Milanez. “Veja é abusada. Assim E. Viveiros de Castro corre o risco de nunca mais ser citado na revista(!), como JonLee Anderson.”

Além de ter reproduzido tweets em que o antropólogo acusa Veja de “fabricar” declaração, Milanez também chegou a citar os microblogs dos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, autores da reportagem, como exemplos de “anti-indígenas” para quem quisesse segui-los. “Não sei ainda o que vou fazer da vida. Não estou arrependido porque nunca imaginei que minha opinião pudesse causar uma reação tão drástica. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas quem defende índio tem que estar com a cabeça preparada para levar paulada”, concluiu Milanez.

Da Redação do Portal Vermelho, com agências
Leia Mais...…

No dia 13 de maio de 1888, determinou-se a Abolição da Escravidão no Brasil, país que foi líder na realização do tráfico de escravos e que manteve por mais tempo o trabalho forçado. Mais de 15 milhões de pessoas foram retiradas do continente africano, e as justificativas para mantê-las escravizadas eram que estavam amaldiçoadas e pertenciam a povos inferiores. Sendo assim, vários reinos e famílias foram destruídos. Com a assinatura da Lei Áurea, as negras e os negros livres tiveram como herança a falta de formação educacional e profissional, habitações precárias e dificuldades financeiras. Eis uma mancha expressiva na nossa História!

O Movimento Negro adotou o dia 13 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Racismo – dedicado às atividades reflexivas que promovam o debate sobre o cotidiano da população afro-descendente e também às apresentações artísticas que exaltam o legado africano deixado na cultura brasileira. Além disso, os coletivos que discutem as questões étnicorraciais no movimento sindical também contribuem para a propagação de novos paradigmas em diversas áreas.

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-AL) vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas (Sindjornal) foi instalada no dia 24 de novembro de 2007. Por meio do seu blog, twitter, informes afros e a Coluna Axé (veículo semanal que completa dois anos nesta quinta-feira, no jornal Tribuna Independente) vem contribuindo para a interlocução entre os segmentos afros e os meios de comunicação, além de promover a ampliação de pautas que abordem a cultura afro-brasileira e a conjuntura da população afro-descendente durante todo o ano.

Porém, atualmente, os nossos principais desafios são: a sensibilização dos profissionais sobre a temática, especialmente os que estão no dia a dia das redações; a avaliação crítica quanto à existência do racismo e assédio moral nos locais de trabalho; além da conscientização sobre as consequências das expressões preconceituosas nos veículos de comunicação.

Devemos por questão de ética e respeito evitar os termos racistas. Dentre os exemplos que são propagados podemos citar: ‘lista negra’, ‘línguas negras’, ‘a coisa tá preta’, ‘buraco negro’ (sem conotação científica), ‘páginas negras da história’, ‘samba do crioulo doido’ e vários outros.

De acordo com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, é dever dos profissionais “combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza” (Cap. 2 / Artº 6º / XIV) e “não podem usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime” (Cap. 2 / Artº 7º / V).

Também gostaríamos de lembrá-los(las) que “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” é crime previsto na Lei nº9.459 de 13 de maio de 1997, tem pena de reclusão de um a três anos e multa; caso o crime seja “cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza”, a pena pode chegar a cinco anos de reclusão e mais multa.

Nós vivemos 122 anos de abolição inacabada e que traz consequências até hoje! Os estereótipos existem para ampliar o preconceito e desconstruir a sociedade. Os afro-descendentes (negros = pretos + pardos) representam hoje mais da metade da população brasileira, ajudaram a formar a cultura deste país, além de contribuir decisivamente para o desenvolvimento sócio-político e econômico.

A COJIRA-AL luta por um jornalismo ético, que contribua para a transformação social e respeite a diversidade étnicorracial, de credos e de gênero! Seguimos em frente, e temos como espelhos os guerreiros quilombolas que enfrentaram seus medos e vários obstáculos em busca de liberdade. Axé!

 Atenciosamente,

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas

cojira.al@gmail.com / www.cojira-al.blogspot.com / twitter: @cojiraal
Leia Mais...…

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A participação da sociedade civil e da mídia no processo de construção do Censo de 2010 é fundamental para avançar na discussão sobre o tema. Esta foi a principal conclusão tirada dos debates realizados no seminário “Censo 2010: O papel da mídia e o impacto na opinião pública sobre os desagregados de raça e etnia”, promovido pela Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), no dia 9 de dezembro, no auditório do Sindicato (SJPMRJ).

Sensibilizar a imprensa para divulgação dos dados desagregados de raça e etnia revelados pelo Censo 2010 será um grande desafio. Para discutir como incluir a questão na agenda da mídia, os palestrantes do seminário chamaram atenção para a importância dos veículos de comunicação começarem a se preparar imediatamente, inclusive para compreender os motivos das desigualdades sociais que devem ser apresentadas pela pesquisa nacional.

Atenção para divulgação
A representante da TV Brasil, a jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Marcia Manga, avaliou como fundamental que a própria assessoria de imprensa do IBGE destaque os dados desagregados. E lembrou que documentos devem ser enviados às redações com informações da pesquisa, antes da divulgação oficial do censo.
“Receberemos um release do IBGE com vários dados e com base nesse documento prepararemos as reportagens. Caso a assessoria de imprensa encubra esses números, podemos não prestar atenção e não divulgar”.
Embora avalie que a divulgação do perfil racial da população possa ajudar a explicar desigualdades, Marcia comentou que para os jornalistas que não acompanham a complexa temática racial no país, esse trabalho pode ser mais difícil. “Temos que vender uma pauta, uma ideia para o noticiário. E para quem não é engajado, observar a relevância desses dados é mais complicado”, reconheceu.

Abordagem qualificada
A mediadora do debate, a jornalista da Cojira-Rio, Angélica Basthi, aproveitou os comentários da representante da TV Brasil para destacar que desde agora as redações precisam começar a tratar da questão, promovendo um processo de conscientização sobre a auto-identificação.

“Não podemos contar apenas com a assessoria do IBGE. Não é só receber um release, ir lá e cobrir. Devemos promover uma pauta qualificada. Nosso objetivo é ter um diálogo permanente. E quando os repórteres receberem essa pauta, que tenham conteúdo para uma abordagem qualificada”, explicou.

Questionada sobre os esforços da TV Brasil para ampliar os espaços de participação social e ampliar a pauta de maneira que contemple os diversos segmentos sociais, Marcia Manga disse que a EBC ainda está buscando uma fórmula. “Este caminho não está fechado, mas temos um potencial. Ninguém sabe ainda o que vai ser. A pessoas estão bem intencionadas e estamos trilhando uma diretriz. Por isso, estou aqui”.

Ao comentar a participação da imprensa na divulgação dos dados do Censo 2010, a coordenadora do Programa Gênero, Raça e Etnia do Unifem, Maria Inês Barbosa, também destacou a importância do papel da mídia. Cobrou campanhas de conscientização sobre a reinclusão das variáveis raça e etnia no questionário base, de maneira que as pessoas respondam conscientemente as perguntas dos recenseadores. E fez uma provocação aos veículos de comunicação para “dialogar com os desagregados”, de maneira a questionar as estruturas por trás das diferenças entre as raças, que deverão ser reveladas pelo censo.

Amostragem prejudicada
Suzana Blass, presidente do SJPMRJ, fez a abertura oficial do encontro. O debate começou com a exposição do pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), José Luiz Petruccelli, que defendeu a reinclusão das variáveis “raça e etnia” nos formulários-base da pesquisa, antes realizada somente por amostragem. De acordo com o pesquisador, a medida permitirá o aprofundamento dos estudos sobre o perfil étnico-racial da população, com foco na implementação de políticas públicas.

A historiadora Wania Santanna, integrante do Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas (que reúne líderes e especialistas responsáveis pela discussão da Rodada de Censos de 2010 na região), questionou os avanços sugeridos pelo IBGE. Para ela, a mudança na metodologia do instituto prejudica a população negra que pode ficar sub-representada.

“A categoria de cor e raça foi historicamente construída. A [categoria] idade eu sei qual é, pois não foi desqualificada da mesma maneira que raça e etnia”, afirmou, acrescentando que “se é verdade que amostragem representa o universo, estou satisfeita. Nesse caso, com essa mudança, [os dados] podem ser um instrumento político contra nós”, avaliou.
Resposta a críticas

Wania Santanna comentou ainda sobre o risco da reinclusão receber um tratamento negativo na mídia. “Estou convencida de que os meios de comunicação vão tratar da forma mais indigna o que é a identidade das pessoas”, alertou.

Petruccelli respondeu às críticas reforçando os benefícios de informações mais detalhadas nas pesquisas estatísticas. “Isso permitirá a desagregação geográfica que a gente quiser. Poderemos estudar o perfil racial até de um bairro”, afirmou o pesquisador. “Uma amostra representa o universo. Se o resultado do universo não representa a amostra, então está desqualificado. Só se faz estudos amostrais para economizar tempo e dinheiro”, completou.

A coordenadora do Programa Gênero, Raça e Etnia do Unifem (Fundo das Nações Unidas para a Mulher) Brasil e Cone Sul, Maria Inês Barbosa, afirmou que vai propor uma reunião para esclarecer as alterações na pesquisa convidando representantes da sociedade, do IBGE, da Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e dos membros brasileiros do Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas responsáveis pela discussão sobre o censo no país.

Resultados diferentes
Maria Inês ponderou que as informações desagregadas são importantes para os governos “caracterizarem” suas populações e implementarem políticas de igualdade racial, mas concordou que o Censo 2010 pode apresentar resultados diferentes do esperado.

“Temos que sentar e buscar saber como está sendo pensada a capacitação dos recenseadores em relação a essas questões. Chamo atenção, inclusive da mídia, para divulgar mais a questão”.

De acordo com Maria Inês, “pelo menos 11 países da Américas vão realizar censos em 2010 que devem incluir pela primeira vez a pergunta sobre raça e etnia. Isso é parte de um processo de luta, resistência e determinação de ativismo histórico da região”, afirmou, referindo-se à Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em 2001, em Durban (África do Sul). “Apesar das fragilidades, não é algo que caiu do céu!”, afirmou.

Texto: Isabela Vieira (Cojira-Rio/SJPMRJ)

Fonte: http://www.jornalistas.org.br/noticias.php?idn=1220
Leia Mais...…